‘há quem viva melhor com o rendimento mínimo garantido do que quem trabalhe nas limpezas da estação fluvial e não tenha onde deixar a filha menor’, diz o maradona, neste texto citado pelo joão pinto e castro. e acrescenta: ‘Vejo uma pessoa de Direita quando vejo alguém mais peocupado em acabar com esta injustiça do que em acabar com a pobreza’.
é capaz de ser por isso que alguns dos meus amigos que se dizem de direita insistem comigo para que eu admita sê-lo também. eu, porém, resisto. e resisto ainda mais a esta idiotice que domina a maioria das discussões políticas ou sobre políticas e que tem o seu apogeu na blogosfera, a saber, a insistência em discutir a propósito de um dado assunto as vantagens e desvantagens daquilo que cada ‘lado’ acha ser a ‘posição’ do ‘outro lado’ sobre o assunto, ao invés de se tentar pensar sobre o dito assunto e procurar, na medida do possível, respostas, saídas, soluções. o texto de rui ramos que jpc cita é um exemplo dessa suprema idiotice, como aliás muito do que se tem escrito e dito sobre a quinta da fonte. Ler o resto »
Nas catacumbas do cinco dias a manhã está a ser marcada por uma discussão sobre a palavra “esparadrapo” (se se usa a palavra apenas quando existe uma face aderente ou se basta ser uma ser faixa de tecido sobre o qual é aplicado um unguento para merecer tal nome - se quiserem participar da discussão e deixar a vossa opinião sobre tão premente tema a caixa de comentários está à disposição) que fez com que alguns de nós deitassem mão aos dicionários preferidos (detectaram-se logo logo fracturas evidentes -eu, por exemplo, sou uma incondicional do Houaiss - ou não fosse este blog tão frequentemente “epítomado” de fracturante). Adiante… É possível agarrar num dicionário sem andarmos a saltar de palavra em palavra? Nunca percebi se o problema é meu, que tenho tara por dicionários, ou se é compulsão generalizada. A mesma relação que tenho com dicionários é a minha perdição na web, não resisto a uma hiperligação. De hiperligação em hiperligação acabo por aterrar, inevitavelmente, em sites muito pouco decentes (que tal esta como desculpa para andar em sites javardolas, hein?), que é risco que dificilmente corro no Houaiss, aí espera-me, quanto muito, a descoberta de palavras como “espadongado” (eleita a descoberta do dia).
Muitas das questões que o Maradona levanta em reacção ao meu anterior post fazem todo o sentido. Mas eu distingo perfeitamente entre quem quer discuti-las seriamente e quem, como o Professor Doutor Rui Ramos (que nunca diz precisamente ao que vem) quer apenas desconversar.
Escreve o Maradona:
“A Direita em Portugal - como em todos os países pobres como nós - está condenada a parecer conformada com a existência de miséria, se não mesmo a defende-la, porque logo acima do desemprego e da pobreza está quem coma esparguete com atum a partir do dia 22 de cada mês ou deva na mercearia.”
A direita, meu caro amigo, faz essa figura em todos os países, mesmo os mais ricos. Basicamente, acha ela que, se os pobres são pobres, alguma coisa terão feito de errado. Quem já viu o programa da Oprah sabe como essa mensagem é ininterruptamente martelada dia após dia, mês após mês, ano após ano em tudo o que é mass media.
De modo que estou disponível para discutir os problemas resultantes do assistencialismo - que, a propósito, é uma política social de direita - mas não nos termos que o Professor Doutor Rui Ramos entende apropriados ao seu viés doutrinário.
Nas páginas do P2, Desidério Murcho continua a insistir na defesa de uma perspectiva cega e redutora da filosofia, que —segundo ele, insisto— parece reduzir-se a uma espécie de ciência especializada na definição de determinados objectos ou significados. Desta vez, a sorte coube ao belo e à arte, e o naco de prosa termina com a esta pérola: “É isto a filosofia: faz-nos pensar outra vez e revela perplexidades onde antes havia apenas banalidades“. Com esta singela frase, Desidério Murcho reduz a experiência artística não filosófica a uma espécie de nulidade. Para Desidério, a relevância da arte para a filosofia parece ser algo independente da história do seu significado para os seres humanos.
O Metropolitano de Lisboa (ML) celebra no corrente ano o 60º Aniversário da sua constituição comemorando a efeméride com os seus clientes através de acções culturais e de animação nas suas estações, nomeadamente exposições, espectáculos musicais e acções dirigidas às crianças.
A direita comentadeira, em particular a portuguesa, é muito curiosa. Aqui há um ano, quando António Costa e José Sá Fernandes formaram uma aliança na Câmara de Lisboa, houve um sobressalto geral contra a proposta de introduzir uma cota para habitação a custos controlados. Denunciou-se que era uma ideia “cubana”, apesar de estar em prática de Nova Iorque a Amsterdão, por infringir o direito sagrado dos promotores imobiliários colocarem cem por cento das suas casas no centro da capital a preços irrealistas, contribuindo para que Lisboa se torne numa espécie de ovo com a gema esburacada.
Passado um ano, descobre-se que essa medida seria talvez a melhor forma de evitar problemas como o da Quinta da Fonte. Em vez de continuar a fazer bairros sociais como depósitos de pobres, deve alojar-se por unidade familiar em bairros comuns, com rendas ou prestações apropriadas aos rendimentos.
Sabe-se que a criminalidade e a violência são maioritariamente praticadas por homens jovens e adultos, entre os 18 e os 30 anos, e tanto mais quando concentrada localmente. Pois bem: uma família com filhos menores num bairro comum, frequentando uma escola comum (e com esta regra muito clara: só deve receber benefícios do Estado quem mantiver os filhos na escola até ao fim) e participando na vida desse bairro, é uma família que está mais afastada da criminalidade quando os filhos crescerem. Ler o resto »
Belo naco de escrita do João Bonifácio, dado à estampa no P2 do jornal “Público” de ontem.
“Em Lisboa, Cohen fingiu ser um cavalheiro sem dores de alma e, entre arranjos com mais ou menos bom gosto, desfiou as suas profecias malignas com uma voz de tempestade”
Há uns dias, o candidato republicano John McCain afirmou saber «como ganhar guerras». Depois de ouvir a sua declaração hoje no «Good Morning America», diria que primeiro precisa comprar um mapa.
Mas fico comovida com a sua preocupação com a situação complicada na (inexistente) fronteira entre o Iraque e o Paquistão, quase tão comovida quanto fiquei com a informação de que o verdadeiro culpado dos preços elevados da gasolina (pelo menos nos US) é… Barak Obama. Mais algumas afirmações extraordinárias e McCain bate Dan Quayle, o vice de Bush Sr., que as debitava com uma frequência considerada inigualável…
“Perlimpimpim” é uma palavra encantadora. Só que as palavras são como as mulheres: as que geram consenso tornam-nos banais. Por isso um homem busca a sua palavra, enfim, um harém de palavras, que a mais ninguém encantaram. Eu gosto de “defeso”. Do latim defensu, designa a quadra do ano em que é proibido caçar, mas só se ouve falar dela no futebol, onde perduram grandes traficantes de palavras. Aí, “defeso” é o período que separa um campeonato do seguinte. Coincide com as férias dos craques e a regeneração dos moribundos sonhos da massa associativa. Ora, como tal implica renovar o plantel, o “defeso” acabou encarnando o seu antónimo: designa mesmo a época de caça, altura em que Ronaldo faz pose galinha desejosa de ser pilhada e Rui Costa traz o troféu Aimar de jacto privado. Mas neste circo animado, quando leio que Sicrano e Fulano foram trocados por Beltrano, sei que passou o número do palhaço triste. Sem a mediação do dinheiro, os clubes tratam os jogadores como as crianças tratam os cromos de caderneta. Se tal troca directa é atavismo soube conservar a crueldade e o capricho infantis. Estes dois cúmulos uniram-se agora em pleno defeso luso. Sucede que foi no Médio-Oriente.
O exército israelita vem colocar em causa a veracidade destas imagens, com base na suposta montagem das mesmas. Acalmem-se as mentes sensíveis, está tudo bem na Palestina.
Para aqueles que duvidam das habituais justificações, podem aceder ao site da B’Tselem
No sábado, alguns milhares de pessoas conotadas com a martirizada classe média deslocaram-se ao passeio de Algés para escutar um descendente em linha directa de Aarão, irmão de Moisés.
Segundo a Lei, um Cohen (ou cohanim) - isto é, sumo sacerdote - não pode ser cego ou coxo, ter membros demasiado compridos, pé ou mão partida, ser corcunda ou anão, padecer de doença de pele ou sofrer de maleita nos testículos.
Exige-se-lhes, ademais, que não mantenham contacto com corpos de pessoas mortas, não rapem a cabeça nem os cantos das barbas, nem façam lacerações nos seus corpos. Os cohanim masculinos não podem contrair matrimónio com prostitutas, mulheres desonradas ou divorciadas.
Não se pode negar que isto dá uma certa garantia de qualidade, pelo que me decidi a ir ao concerto, mesmo correndo o risco de encontrar por lá alguns bloggers.
PS - A minha particular sensibilidade a esta problemática deve-se ao facto de ter quatro primos em primeiro grau de apelido Cohen.
Neste vídeo que produzi podem ouvir e ver o André Viane, responsável do Cineclube de Tavira e é ele próprio o projeccionista nas noites de Cinema ao ar livre nos Claustros do Convento do Carmo.
Esta Mostra do Cinema Europeu terminará hoje com o filme METROPOLIS de Fritz Lang, ALEMANHA 1927 acompanhado no piano “AO VIVO” por LUÍS CONCEIÇÃO / with “LIVE” piano score by LUÍS CONCEIÇÃO – M/6. A não perder!